Eventos

Exposição Arte Popular Brasileira

Av. Afonso Pena, 737 - Centro - Belo Horizonte/MG

PQNA Galeria Pedro Moraleida

Entrada Gratuita

12 de setembro a 11 de novembro de 2018 - De terça-feira a sábado, das 9h às 21h; domingos, das 16h às 21h


A PQNA Galeria Pedro Moraleida recebe, na próxima semana, a exposição Arte Popular Brasileira. A partir de um recorte da produção popular brasileira atual, a mostra reúne 27 obras em madeira e cerâmica que abrangem o que há de mais expressivo e original nesse segmento. A exposição é composta de trabalhos dos artistas mineiros Ananias Elias, Artur Pereira, Geraldo Teles de Oliveira (GTO), José Ricardo Resende, José Valentim Rosa, Placidina Fernandes do Nascimento e Ulisses Pereira Chaves. Somam ao conjunto obras de João Cosmo Félix, do Ceará, Antônio Alves dos Santos, de Alagoas, Cícero Alves dos Santos, de Sergipe, Francisco Moraes da Silva, do Rio de Janeiro, e Lafaete Rocha Ribas, do Paraná.

Pertencendo em sua totalidade a coleções particulares mineiras, as obras da exposição Arte Popular Brasileira representam o modo de vida de um povo, reflexo de tradições, costumes e crenças. De acordo com o diretor do Centro de Arte Popular CEMIG e curador da mostra, Tadeu Bandeira, o objetivo da exposição é apresentar ao público obras de artistas brasileiros praticamente desconhecidos. “Naturalmente, a arte popular mineira é muito conhecida e apreciada. Assim, é importante trazer até Minas Gerais alguns artistas do nordeste brasileiro e outros expoentes do Rio de Janeiro e do Paraná nunca aqui mostrados”, afirma o curador, que também destaca a importância da preservação desse patrimônio artístico. “A rigor, o auge da arte popular brasileira ocorreu nas décadas de 1960 e 1970. Dos 13 artistas participantes, apenas dois nomes ainda são vivos e atuantes: Véio (Cícero Alves dos Santos) em Sergipe e Zézin (José Ricardo Resende) em Minas. Todos os demais já se foram, mas constituem o núcleo principal dessa arte que mantém o aspecto do primitivismo e da autenticidade do nosso país”, conta Bandeira.

Ainda segundo o curador, a disposição das obras foi organizada para que as peças possam ser vistas de vários ângulos – já que a sua maioria é esculpida na frente e no verso. “Buscamos não aglomerar ou trazer obras em grande número, para que o público absorva melhor o conjunto exposto. A mostra possui esculturas e algumas cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, uma moringa (recipiente para água) de cunho utilitário e seis outras chamadas de ‘cabeças de milagres’ – representações segmentadas da cabeça isolada do corpo. Todas as obras possuem adornos, exigindo uma boa circulação do público para que sejam apreciadas”, afirma.

Para Bandeira, que iniciou sua carreira há 40 anos com uma exposição de Ulisses Pereira Chaves – artista que também faz parte da mostra Arte Popular Brasileira, ocupar a PQNA Galeria Pedro Moraleida é um grande prazer. “Realizar uma exposição em uma galeria que recebe o nome de Pedro Moraleida, um dos mais talentosos artistas mineiros, é de grande importância na minha longa carreira de curador. Procuro valorizar a arte popular mineira, buscando novos nomes e relembrando aqueles que foram esquecidos, mas têm imenso valor”.

Construindo tradições – Levada pelo inconsciente, a arte popular é resultado de um estímulo, no qual o artista é afetado pelo ambiente onde vive. Nela, o homem exprime seus anseios e busca a expressão do mundo material ou imaterial que o permeia. Certo de que a exposição provocará reflexões, Bandeira cita alguns exemplos de artistas que compõem a mostra e transmitem parte de suas vivências nas obras de arte. “O artista Lafaete Rocha, do estado do Paraná, possui trabalhos que sempre pontuaram o homem-animal, misturando em suas esculturas a figura humana com animais como o cavalo, o boi, a raposa e a girafa. O real significado disso é a passagem ou as migrações do homem do interior para as capitais, reflexo da experiência do artista quando se transferiu do campo para Curitiba”, pontua o curador.

Outra curiosidade artística vem da obra de Chico Tabibuia (Francisco Moraes da Silva), artista fluminense cujas esculturas quase sempre contém símbolos fálicos. “O propósito da arte de Tabibuia não é pornográfico, e sim erótico. É uma expressão da força do Eros, deus do amor e erotismo, na dualidade masculino/feminino”, conta Bandeira. Já o artista mineiro GTO (Geraldo Teles de Oliveira) desenvolveu uma obra de caráter universal que avançou a linha do primitivo, atingindo outros conceitos e patamares. “Sua criativa obra é fruto de sonhos e visões, uma arte imaginativa e espontânea. Ele transcende um mundo de sonhos e uma poética intensa para suas esculturas”, conclui.

Foto: Paulo Lacerda


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