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FCS realiza show histórico de Hip Hop no Grande Teatro do Palácio das Artes para celebrar uma década do DUELO DE MC’S

Programa PALCO DE ENCONTRO recebe diferentes gerações de artistas com repertório autoral

Pela 3ª vez consecutiva, a Fundação Clóvis Salgado realiza o Palco de Encontro, programa que celebra o trabalho de artistas mineiros e valoriza a música produzida no estado. Neste ano, o destaque é a cena hip hop de Belo Horizonte, com uma apresentação especial do Duelo de MC’s, um dos movimentos de rua mais reconhecidos e respeitados da cidade e que celebra, em 2017, uma década de histórias e transformações culturais na capital.

Com direção musical do coletivo Família de Rua, o show reúne no Grande Teatro do Palácio das Artes diferentes gerações do hip hop mineiro e que passaram pelo palco do vão livre do Viaduto Santa Tereza. Em um único show, nove artistas irão se revezar no palco para apresentar seus repertórios autorais. São eles: Chris, Clara Lima, DJ Giffoni, DJ Roger Dee, Dmorô, Douglas Din, Eazy CDA, Família de Rua, GurilaMangani, Kdu dos Anjos e Vinição. Segundo Philipe Ratton, da Diretoria de Programação Artística da FCS, a realização desse Palco de Encontro celebra a arte de rua da capital, bem como evidencia a atuação pública da instituição, no sentido de reconhecer e promover a fruição das diferentes manifestações artísticas que movimentam a cena cultural na cidade. “A FCS busca sempre estimular os novos artistas a também ocuparem seus equipamentos culturais. Receber a arte de rua é, também, uma forma de reafirmar nosso compromisso como uma instituição pública por vocação e que promove e celebra o diálogo entre as mais variadas linguagens artístico-culturais”, destaca.

Para Pedro Valentim, um dos representantes do coletivo Família de Rua, a ocupação do Grande Teatro é um importante passo para a trajetória dos artistas convidados para o Palco de Encontro. “Essa molecada foi desenvolvendo uma noção de empoderamento muito forte enquanto participava das batalhas ao longo dessa década. Fazer esse trânsito entre o Viaduto Santa Tereza e o Palácio das Artes reafirma a força e a importância da nossa arte. É o hip hop marcando presença e ocupando os espaços públicos da cidade”, comemora Valentim.

A 1ª edição do Palco de Encontro aconteceu em 2015, contando a trajetória da Música Mineira, do Clube da Esquina aos dias atuais, com apresentações de Toninho Horta a Flávio Renegado, passando por Aline Calixto, Celso Adolfo, Coral Lírico de Minas Gerais, Marina Machado e Wilson Sideral. Na segunda edição, em 2016, Wagner Tiso e Sergio Santos interpretaram obras de Cartola, em comemoração aos 100 anos do Samba. O evento também contou com uma homenagem a Vander Lee, cantor e compositor mineiro que faleceu naquele ano. Agora, é a vez da cultura de rua ganhar destaque em um dos teatros mais tradicionais do país.

Uma década de resistência e transformação – Em 2017, o Duelo de MC’s celebra uma década de festa e resistência no espaço público de Belo Horizonte. Há dez anos, o vão do Viaduto Santa Tereza, no baixo centro da cidade, se transformou no palco do Duelo de MC’s, local onde a cultura hip hop se mostrou em sua diversidade e essência e milhares de jovens fizeram daquele um espaço de referência da cidade. O encontro começou pequeno e espontâneo, com amigos fazendo rodas de rima improvisada na Praça da Estação.

Ninguém imaginava que ali surgia um movimento que mudou a cara do baixo centro de BH. O Duelo de MC’s cresceu, formou grandes artistas, lutou pelo direito à cidade, recebeu muitos convidados do Brasil e do mundo, ganhou visibilidade na internet e realizou cinco edições do Duelo de MC’s Nacional, encontro que reúne artistas e amantes da cultura hip hop de todo o país na disputa pelo título de melhor improvisador brasileiro.

Ao festejar uma década de transformação cultural em Belo Horizonte, o Palco de Encontro também celebra a memória das batalhas e aponta o legado desse importante movimento, possibilitando o encontro dos artistas que iniciaram o movimento na cidade e daqueles que são expoentes de uma cena já consolidada. Um dos exemplos é Easy CDA, artista que figura no hip hop de Belo Horizonte desde o início da década de 1990. Dos novos artistas, destaque para os irmãos Chris e Clara Lima, que passaram a duelar no Viaduto Santa Tereza recentemente.

Quem assina a realização do projeto Duelo de MC’s é a Família de Rua, grupo formado por amigos que acreditam na essência da cultura e das manifestações artísticas urbanas. O coletivo trabalha focado na promoção da cultura hip hop e do skate em seus moldes originais, preservando a originalidade e a força presentes na arte e no estilo de vida daqueles que respiram a rua cotidianamente. O coletivo é fruto do Duelo de MC’s que, ao lado do Família de Rua Game of Skate, são os principais projetos do grupo.

Sobre os convidados:

FAMÍLIA DE RUA – Há quase 10 anos, a Família de Rua resiste bravamente no espaço público de Belo Horizonte promovendo a cultura Hip Hop e o Skate em seus moldes originais. Tudo começou em 2007 com o “Duelo de MCs” e o que surgiu como um encontro informal de amigos se tornou uma das maiores referências da cultura urbana brasileira. Em 2015, os MCs Monge, PDR e Zero2 se juntaram ao DJ Giffoni e entenderam que era hora dessa história virar música. O resultado foi o disco “Ontem, hoje e sempre”, lançando no final de 2016, com 11 faixas autorais que refletem os encontros, as amizades, as frustrações, as lutas e as conquistas dessa família que se formou nas ruas de Belo Horizonte.

CHRIS – Chris MC é cria do Duelo de MCs e um dos nomes mais importantes da atualidade quando o assunto são as batalhas brasileiras de versos livres. Ele é o atual campeão do projeto Mic Master Brasil e se divide entre as disputas versadas e seu trabalho autoral, que bebe na fonte do R&B em diálogo com o rap produzido em 2017. Chris é irmão de sangue da MC Clara Lima e integrante do coletivo Geração Elevada (GE).

CLARA LIMA – Clara Lima tem apenas 18 anos de idade e muita história pra contar. Começou nos palcos das batalhas de MCs em 2014 e, em 2017, já é considerada uma das grandes revelações do rap brasileiro. Clara é integrante do grupo DV Tribo, foi finalista do “Duelo de MCs Nacional” em 2015, participou dos projetos “Poetas no Topo” e “Rap Box”, com importante destaque no cenário nacional. Agora, no mês de agosto, lança seu primeiro ep, “Transgressão”, que sai pelo selo Ceia, com produção musical de Coyote Beatz.

DJ GIFFONI – Sérgio Giffoni é produtor musical, DJ e um dos grandes responsáveis por dirigir e produzir trabalhos de muitos artistas do Hip Hop de Minas Gerais à frente do Estúdio Giffoni. Por lá já passaram nomes como Clara Lima, A Corte, Well, Neghaun, Gurila Mangani, FBC, Douglas Din, Pedro Vuks e tantos outros. Giffoni também é um dos fundadores do grupo Julgamento e DJ da Família de Rua.

DJ ROGER DEE – Com uma história que se confunde com o desenvolvimento da cena Hip Hop e da Música Eletrônica em Belo Horizonte, sua cidade natal, Roger Dee é um dos precursores dessas culturas no Brasil. Sua trajetória tem início nos anos 80, atuando como grafiteiro e B.boy, tornando-se posteriormente um dos principais DJs de sua cidade e do país. Em sua carreira de quase três décadas, Dee já trabalhou com alguns artistas da música brasileira, entre Jota Quest e Wilson Sideral, fez turnê internacional com os grafiteiros Os Gêmeos e foi DJ residente do Duelo de MCs durante seis anos. Além de assinar a produção e a direção musical dos projetos “Malucofonia” (2009), “O Som que vem das Ruas Vol 1” (2011) e “O Som que vem das Ruas Vol 2” (2015).

DMORÔ – Dmorô é um desses resistentes na cultura Hip Hop de Belo Horizonte. Na missão há mais de duas décadas, ele começou como grafiteiro em 1993 e, no início dos 2000, se descobriu mestre de cerimônias (MC). Foi integrante do grupo Saga Contínua, da Conspiração Subterrânea Crew e um dos responsáveis pelo desenvolvimento das rodas e batalhas de rimas improvisadas em Belo Horizonte, ao lado da primeira geração de MCs que fizeram história no palco do Duelo. Atualmente, Dmorô é um dos MCs da Spin Force Crew, ao lado de PDR e Monge, e jurado residente no “Duelo de MCs”.

DOUGLAS DIN – Suas performances já lhe garantiram o vice-campeonato da Liga dos MCs, Duelo Sangue B e o bicampeonato no Duelo de MCs Nacional. Aos 26 anos, se dedica cada vez mais à composição e tem dois discos lançados, “Causa Mor”, de 2013, e o projeto “Ensurdecedor”, que ganhou as ruas em 2014. Din também é um dos integrantes do projeto “Bala da Palavra” e tem como um dos momentos mais importantes da sua carreira a apresentação que fez durante a turnê de 25 anos do grupo Racionais MCs.

EAZY CDA – Hertz Bento Pereira, o Eazy CDA, nasceu no bairro Cabana, em Belo Horizonte, e tem 38 anos. É MC, produtor musical e cultural, fundou o selo Xeque Mate em 1996 e, desde então, se dedica exclusivamente ao movimento Hip Hop. Após assinar a produção musical de vários artistas da cena local, entre eles Neghaun, Radical Tee, Monge e Tamara Franklin, em 2017 deu vida ao seu primeiro disco solo, “Gol de Honra”.

GURILA MANGANI – Desde 2001 envolvido diretamente na cultura Hip Hop, Gurila Mangani é MC, produtor e selecta belorizontino, criado nas ruas de Belo Horizonte e Santa Luzia, considerado um dos pioneiros do rap underground de Minas Gerais. Lançou em 2009 seu primeiro disco solo “Amostra”, sendo indicado aos novos nomes da MTV e ganhando os prêmios Uirapuru de Música Brasileira e Prêmio Mixórdia, ambos com a escolha do público. Gurila também fez parte do time de beatmakers que produziu faixas para os primeiros volumes do projeto “O Som que vem das Ruas” e o primeiro artista a fazer um show no palco do “Duelo de MCs”.

KDU DOS ANJOS – Kdu dos Anjos é um multi artista. Equilibrando-se nas funções de MC, poeta, compositor, ator, articulador cultural e gestor do Centro Cultural Lá da Favelinha, Kdu é uma referência para as juventudes da sua comunidade, a Vila Santa do Cafezal, na região centro sul de Belo Horizonte. Na missão dos palcos desde cedo, Kdu dos Anjos fez história nas batalhas de improviso em Belo Horizonte. Fundou saraus de poesia e lançou alguns trabalhos musicais de peso, entres eles os discos “A Cidade” (2011) e “Azul” (2014). Suas produções mais recentes dialogam com o funk e um dos destaques é o single “Tá Rolando”, lançado em 2017.

VINIÇÃO – Cria dos palcos das batalhas que começaram na Praça da Estação e que fizeram história no Viaduto Santa Tereza, Vinição é um dos grandes nomes da rima improvisada brasileira e um dos MC’s que mais vezes venceu os embates versados no Duelo de MC’s nestes 10 anos. Depois de lançar o ep "Essa fita memo", o rimador local do Morro das Pedras chega trazendo novidades para segundo semestre de 2017.

Foto: Divulgação

 

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