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Otavio Augusto comemora 50 anos de carreira com a peça "A Tropa", no Teatro Sesiminas

Após atuar em dezenas de filmes, novelas, minisséries e clássicos do teatro, o ator retorna aos palcos para protagonizar peça que aborda discussões políticas e familiares.

Um pai doente recebe a visita dos quatros filhos no hospital. O que seria apenas um encontro em função de um parente debilitado se revela um acerto de contas familiar, permeado de humor e afeto. O pano de fundo desse encontro são os últimos 50 anos de história brasileira, dos pesados tempos da ditadura militar à Operação Lavo Jato. Esta é a história da peça “A Tropa”, protagonizada por Otavio Augusto, um dos principais atores brasileiros, que comemora 50 anos de carreira. Após duas temporadas no Rio de Janeiro, sucesso de público e crítica em São Paulo, Brasília, São José dos Campos, Friburgo e Teresópolis, o Centro Cultural Sesiminas recebe a montagem para apresentação em Belo Horizonte. O espetáculo ficará em cartaz no Teatro Sesiminas, nos dias 19 e 20 de agosto, sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

Ao longo de cinco décadas de carreira, Otavio Augusto já trabalhou em dezenas de filmes, novelas, minisséries e clássicos dos palcos nacionais, como “A ópera do malandro”, “Galileu Galilei” e “O rei da vela”. Longe do teatro desde 2009, o ator ficou entusiasmado com a ideia de voltar aos palcos após ler A Tropa, dirigida por Cesar Augusto. Ele recebeu o texto do autor Gustavo Pinheiro com um convite para protagonizar a montagem no papel de um ex-militar, viúvo e pai de quatro filhos. Um homem autoritário que, no leito de hospital, vê as relações veladas da família serem descortinadas.

Os filhos são interpretados por Alexandre Menezes, Daniel Marano, Eduardo Fernandes e Rafael Morpanini. O embate familiar evidencia a trajetória de cada um: Humberto é um dentista militar aposentado que mora com o pai; João Batista é o caçula, jovem usuário de drogas com passagens por clínicas de reabilitação; Artur é um empresário casado, pai de duas filhas, que trabalha numa empreiteira que está sob investigação por corrupção; e Ernesto é um jornalista que acaba de pedir demissão de um jornal e está em crise com a profissão.

Embora tenha sido escrito em 2015, o texto já vinha, de certa forma, sendo maturado desde 2014, a partir das observações do dramaturgo sobre as últimas eleições presidenciais no país. “Fiquei impressionado com a capacidade do debate político, nas redes sociais ou fora delas, abalar amizades. Qual o lugar da tolerância na nossa sociedade hoje? E como exercitar a tolerância e a diferença em família, o núcleo mais estreito de convívio, regido pelo afeto? Esse foi o ponto de largada para A Tropa”, explica Gustavo Pinheiro. A premissa é transposta para o quarto de hospital onde os personagens estão confinados, no qual são expostas outras enfermidades – ideológicas, sociais e familiares.

Criado por Bia Junqueira, o cenário apresenta um quarto de hospital com alguns poucos objetos que foram levados pelos filhos – de pertences do pai a presentes. Os figurinos de Ticiana Passos são contemporâneos e ressaltam as particularidades de cada um.

O espetáculo “A Tropa” conta com o apoio do Centro Cultural Sesimina

Foto: Elisa Mendes

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