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Grupo Expressões Humanas estreia espetáculo “Îandé Tekoha” em Belo Horizonte

Espetáculo inédito na capital mineira será apresentado entre os dias 14 e 16 de junho, no Galpão Cine Horto.

Em seus quase 30 anos de atuação, o Grupo Expressões Humanas construiu uma trajetória de respeito, pautada na difusão e discussão do fazer teatral, do papel do artista e da arte em nossa sociedade. Agora, o coletivo promoverá entre os dias 14 e 16 de junho a temporada de estreia, em Belo Horizonte, do espetáculo “Îandé Tekoha”. Depois de uma apresentação de sucesso em Fortaleza, no Ceará, a montagem chega a capital mineira com a temática da luta de resistência dos povos indígenas no Brasil, ecoando as vozes de protesto no palco, falando de território, memória e do lugar de pertencimento destes povos como sua principal forma de existência.

A criação do texto do espetáculo se deu a partir de uma pesquisa, que nasceu do encontro do Grupo Expressões Humanas com povos indígenas do Ceará, com pesquisadores e ativistas acerca da questão da demarcação de seus territórios e outras questões emblemáticas que as comunidades passam atualmente. Além de entrevistas, pesquisas e leituras a respeito do histórico dos indígenas no Ceará, processo auxiliado pelo historiador João Paulo Vieira, o grupo participou eventos e atividades importantes deste cenári, como o “Encontro SESC Herança Nativa” e o “II Fórum de Museus Indígenas do Ceará”, realizado na aldeia do Jenipapo-Kanindé.

Neste fórum, o coletivo teatral participou de oficinas realizadas pelos indígenas, momentos de dança e celebração com os povos Funi-ô, de Pernambuco, além de entrevistarem os pajés e representantes das etnias Pitaguary e Tremembé.

Em janeiro de 2018, na finalização da primeira etapa de pesquisa para o espetáculo realizamos em nossa sede Cena Casarão, a atividade Sala de Intercâmbio - um encontro com Rosa Pitaguary e o cacique Cauã Pitaguary, para falar sobre demarcação de terras dos povos indígenas no Ceará, suas questões e problemáticas.

Ainda nesse período de finalização da pesquisa participamos de um workshop em Juazeiro do Norte com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveis (Porto Alegre/RS) para iniciarmos a investigação de corpo, voz e movimento para ampliação da criação cênica e ampliação do espaço teatral para a montagem. A pesquisa teve apoio do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz de 2015 e a montagem teve apoio do XI Edital de Incentivo às Artes do Estado do Ceará, edição de 2016, na categoria Gestão de Grupos e Companhias.

DISCURSO

Para o espetáculo Îandé Tekoha, o grupo  aborda  a questão indígena no Brasil pela ótica do confronto desses povos com os grandes empreendimentos que, respaldados pelo poder do Estado, ambicionam tomar suas terras. De forma transversal, a história é contada por meio de uma velha índia e de sua neta que vivem num acostamento de uma rodovia onde, a “mão do progresso” e do agronegócio movimentam suas estradas e cercas, expandindo o mercado para além da vida. Na contramão desse “progresso”, está a luta e a resistência desses povos por seus tekoha e a denuncia da barbárie que ainda hoje mancha de sangue a nossa história.

Com músicas pesquisadas da cultura indígena e também faixas autorais para o espetáculo, interpretadas e tocadas pelos próprios atores, Îandé Tekoha traz em sua linguagem teatral a experimentação na manipulação de boneco, nos textos e áudios documentais. Esses recursos trouxeram grandes desafios para o elenco formado por Murillo Ramos, Marina Brito, Juliana Veras e Zéis. A montagem conta com direção de Herê Aquino, iluminação de Wallace Rios e figurinos de Ruth Aragão. Para este novo projeto a cenografia ficou por conta de Rodrigo Frota, os adereços de Miguel Campelo e a confecção da boneca de manipulação do ator e artesão Murilo Cesca.

Estes trabalhos em diferentes esferas da construção de cena resultam em um espetáculo rico e diverso, com destaque para a performance, o teatro documental, a manipulação de bonecos e o teatro gestual, que, nesse caso, serviram de base para o aprofundamento do teatro ritualístico, fonte da pesquisa do grupo.

::Sobre o Grupo Expressões Humanas::

O Grupo Expressões Humanas iniciou sua trajetória em Janeiro de 1990, como um grupo de teatro experimental, criado com a proposta de contribuir para a difusão e discussão do fazer teatral e do papel do artista e da arte em nossa sociedade.

Para isso, o foco de pesquisa estipulado foi o “Teatro Ritualístico Contemporâneo”, com especial enfoque para a “Poética do Espaço Cênico”, a “Poesia Corpórea do Ator Criador” e para o ser enquanto indivíduo e identidade cultural. Assim, o grupo se propõe a construir narrativas a partir das ações dialéticas de todas as forças que atuam na construção da cena. Atualmente, possui em seu currículo 20 trabalhos encenados e inúmeras participações em festivais e mostras de teatro e cultura, sempre se destacando e recebendo diversas premiações ao longo da trajetória. Destacando a participação em 2010 no projeto Palco Giratório do Sesc Nacional com os espetáculos Encantrago Ver de Rosa um Sertão, Os Cactos e Ensaio Para Um Silêncio, circulando com mais de 30 apresentações em mais de 10 estados brasileiros.

Desde 2010 o grupo possui uma sede em Fortaleza onde desenvolve ensaios, encontros, oficinas, apresentações de espetáculos e projetos ligados ao teatro e áreas afins. Além de participar ativamente das conquistas da classe artística do estado, junto ao movimento artístico da cidade.

No final de 2013 estreia Orlando da obra homônima de Virgínia Woolf, sucesso de público e crítica. Em 2014 o grupo encerra o ano com sua primeira viagem internacional participando da IV Feira Mundial da Palavra de Cabo Verde na África, com os espetáculos Orlando, Ensaio Para Um Silêncio, e Orlando em Canções. Em 2015, pela segunda vez, é contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Munyz, garantindo continuidade das pesquisas do grupo e de uma nova montagem. No final do mês de abril de 2016, Orlando abre o evento Maloca Dragão promovido pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. E em janeiro de 2017 também abre o Férias no Dragão promovido pela mesma instituição.

Em 2017, o Grupo lançou sua primeira publicação em comemoração aos 25 anos ininterruptos de trabalho: o livro “Grupo Expressões Humanas: Estética, Ética e Poética no Trabalho de 25 Anos”. Também em 2017 fooi contemplado com o Prêmio Petrobras Distribuidora de Cultura 2017/2018 para circulação de “Orlando” em 2019.

Foto: Diego Souza

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