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“O Deus da Carnificina”, em Belo Horizonte
Espetáculo estrelado por Bianca Byington, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch propõe discussão sobre o limite tênue entre civilidade e barbárie a partir de uma briga entre crianças
A celebrada peça “O Deus da Carnificina”, texto da autora francesa Yasmina Reza, publicado em 2006, chega a Belo Horizonte com nova versão brasileira dirigida por Rodrigo Portella - considerado um dos principais diretores da sua geração por desenvolver uma linguagem que combina rigor dramatúrgico, precisão cênica e força emocional. A trama acompanha o encontro entre dois casais que se reúnem para resolver, de forma civilizada, uma briga entre seus filhos. Mas o que começa como um encontro cordial rapidamente se transforma em um confronto inesperado. Com tradução de Eloisa Araújo Ribeiro, a peça é estrelada por Bianca Byington, Thelmo Fernandes, Angelo Paes Leme e Anna Sophia Folch. As apresentações acontecem nos dias 8 e 9 de agosto, sábado às 20h30 e domingo às 18h30, no Grande Teatro do Sesc Palladium.
“O Deus da Carnificina” está entre os textos mais importantes para o teatro contemporâneo. A obra transforma um conflito aparentemente banal em uma análise precisa e cruel das relações humanas. A partir de um encontro entre dois casais, a peça desmonta, pouco a pouco, a civilidade, expondo vaidade, agressividade, hipocrisia e a fragilidade das convenções sociais.
Para o diretor Rodrigo Portella, o texto explora o limite tênue entre civilidade e barbárie. “É como se os pactos e convenções sociais estivessem sempre por um fio diante da nossa força primitiva, caótica e violenta. Pensei em criar uma encenação que explicitasse essa tensão, valorizando no trabalho dos atores essa desconstrução da compostura social e moral para ir revelando aos poucos toda sujeira, toda a selvageria, como se os personagens e a própria cena fossem se descascando, revelando atitudes de profunda intolerância e horror”, revela o diretor, que tem seu trabalho reconhecido por entregar montagens que costumam ter alta densidade dramática. Portella transita com muita facilidade e competência entre a dramaturgia brasileira e textos estrangeiros, sempre mantendo um olhar muito claro sobre cena, atuação e relação com o público.
A obra de Yasmina Reza foi escrita e publicada em 2006, um momento em que ainda parecia haver maior confiança no diálogo como forma de resolver conflitos — algo que, hoje, infelizmente, parece mais frágil. Em um cenário mais polarizado e acelerado, o retrato do espetáculo, que antes soava como uma situação extrema, ganha contornos cada vez mais familiares, reforçando a atemporalidade de seu olhar sobre as relações humanas.
Estão entre os temas centrais do espetáculo educação, conflito entre pais, intolerância, disputa de poder e incapacidade de diálogo. Temas atemporais, que fazem com que o espetáculo seja montado em diferentes épocas e contextos, sem perder a identificação imediata no público. A atriz e idealizadora do projeto, Anna Sophia Folch, destaca a atualidade do texto. “A peça é um retrato incômodo do nosso tempo, mesmo tendo sido escrita no início dos anos 2000. Um texto extremamente provocativo que fala sobre a falência do diálogo, sobre como as pessoas defendem suas próprias narrativas a qualquer custo e sobre a rapidez com que a convivência se transforma em disputa. Os temas passam pela educação e pelas estruturas sociais, mas principalmente pela ideia de que o conceito de civilidade é muito mais frágil do que gostaríamos de admitir”, diz.
Já Felipe Valle, que assina a direção de produção, reforça que essa tragicomédia cria uma espécie de “espelho atemporal das relações sociais em sua forma mais pura e objetiva”. E ainda acrescenta: “A obra provoca uma reflexão sobre a forma como tendemos a simplificar as relações pessoais, muitas vezes dividindo tudo entre extremos. Ao mesmo tempo, evidencia o contraste entre as narrativas e como isso impacta o convívio em sociedade.”
O que torna a obra tão forte é a economia dramática: poucos personagens, um espaço único e uma ação concentrada. Mesmo com essa simplicidade estrutural, o texto mantém tensão constante e faz com que o diálogo funcione como campo de batalha. É uma dramaturgia muito eficiente, em que cada fala revela mais do que os personagens gostariam de admitir.
Ainda sobre a encenação, Portella conta que aposta em uma cenografia minimalista e em figurinos bem realistas. “Quero que essa cenografia sintética, com poucos elementos, provoque e transporte a imaginação dos espectadores para qualquer lugar possível, de modo a criar identificação independente do contexto social, econômico e ideológico. Os figurinos devem ser os únicos elementos realistas, porque vestem as identidades desses personagens. Todo o restante representa mais o mundo interior do que a realidade deles”, antecipa.
Yasmina Reza consegue equilibrar comédia e desconforto de forma rara. O riso surge, mas vem sempre acompanhado de incômodo, por meio de um texto que mostra como a polidez social pode ruir rapidamente. Para o teatro, isso é valioso: a peça não depende de grandes efeitos, e sim da precisão da escrita e da atuação.
Em Belo Horizonte, “O Deus da Carnificina” integra a programação do Palco Instituto Unimed-BH 2026 que é apresentado pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Unimed-BH, por meio do patrocínio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores, produção executiva da Pólobh, patrocínio do Banco Mercantil e da Laranjinha do Itaú, correalização do Sesc em Minas, apoio da LCM Construção e Pottencial Seguradora, colaboração do Banco Safra, BTG Pactual e Ferguminas e parceria de mídia com a CDL FM, Fredizak, Jornal O Tempo, Soubh e Zanzar Mídia.
“O Deus da Carnificina”, na programação de 2026, celebra a história do próprio Sesc Palladium. Quinze anos após a apresentação deste mesmo espetáculo na inauguração deste importante centro cultural, em 2011, a icônica obra retorna ao seu palco em uma nova montagem brasileira. Com direção e elenco inéditos, a peça é um dos grandes destaques da programação de aniversário de 15 anos do Sesc Palladium, celebrada em agosto.
“Palco Instituto Unimed-BH”
O projeto Palco Instituto Unimed-BH traz em sua programação aos palcos de Belo Horizonte um painel bem diversificado do que está sendo produzido pelas artes cênicas no Brasil e no mundo. O projeto é uma iniciativa da Pólobh, produtora sediada em Belo Horizonte, MG, tem patrocínio do Instituto Unimed-BH, viabilizado por mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Sobre o Instituto Unimed-BH
O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
SERVIÇO: “O Deus da Carnificina”
Dias 8 e 9 de agosto, sábado às 20h30 e domingo às 18h30
Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro – BH/MG)
Ingressos:
Plateia I: R$ 140,00 (inteira); R$ 70,00 (meia entrada e cliente Sesc)
Plateia II: R$ 100,00 (inteira); R$ 50,00 (meia entrada e cliente Sesc)
Plateia III: R$50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia entrada e cliente Sesc)
Vendas: na Sympla e na bilheteria do teatro: https://bileto.sympla.com.br/event/122612
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos
Ficha Técnica
De Yasmina Reza
Direção de Rodrigo Portella
Tradução: Eloisa Araújo Ribeiro
Com Bianca Byington, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch
Coordenação Geral: Anna Sophia Folch e Felipe Valle
[CRIATIVOS]
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Federico Puppi
Figurinos: Karen Brusttolin
Cenografia: Rodrigo Portella
Cenotecnia: Rahira Coelho
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
[PRODUÇÃO]
Direção de Produção: Felipe Valle
Produção Executiva: Juliana Trimer
[COMUNICAÇÃO]:
Identidade Visual: José Américo Mancini e Diego Navarro
Mídias Sociais: Enzo Amarelo
Fotos de divulgação: Alê Catan
Fotos de cena: Annelize Tozetto
Foto: Annelize Tozeto
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