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Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe a maior mostra de Joaquín Torres García já realizada no Brasil

Em cartaz de 15 de julho a 12 de outubro, exposição gratuita apresenta novo recorte curatorial e obras inéditas, aproximando o artista uruguaio da arte popular e da cultura mineira

Depois de temporadas nos CCBBs São Paulo e Brasília, chega a Belo Horizonte, no dia 15 de julho, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) até 12 de outubro, a mostra celebra o trabalho do artista, apresentando um novo recorte curatorial e um conjunto inédito de obras especialmente selecionadas para a etapa mineira. A entrada é gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH.

Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a exposição reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado de Torres García.

A mostra evidencia diálogos entre Torres García e importantes artistas brasileiros modernos e contemporâneos, revelando aproximações formais, conceituais e simbólicas que atravessam diferentes gerações e linguagens artísticas. Saulo di Tarso explica que cada cidade amplia as possibilidades de leitura da exposição. “A mostra se redesenha e procura incorporar a participação de artistas locais. Essa transformação museográfica que é implementada em cada cidade busca atualizar a presença de Torres García junto a artistas de grande potência no cenário contemporâneo”, destaca o curador.

Nesse sentido, a montagem em Belo Horizonte apresentará novas obras de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, que evidenciam a relevância da produção regional e reforçam o caráter singular da temporada mineira. "Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo", afirma.

A exposição que aporta na capital mineira ganha um recorte curatorial próprio. Assim, se em Brasília o percurso privilegiava as relações entre arte, arquitetura e espaço público, em Belo Horizonte o foco recai nas conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. A proposta reafirma uma das ideias centrais do artista, de que o Sul não é apenas uma posição geográfica, mas uma perspectiva ética, estética e cultural diante do mundo. Neste tema, uma das inclusões que destacam os debates decoloniais e enriquecem o diálogo são mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, por exemplo, colocados nesta etapa da itinerância.

Outro eixo importante da exposição é sua dimensão educativa. Saulo di Tarso explica que Torres García compreendia a infância como uma forma de “integração da vida” e atribuía às crianças um papel central no projeto da criação moderna. “Já na década de 1910, García ministrava aulas de arte e de civilização africana para crianças em ateliês, uma iniciativa extremamente arrojada para a época, que evidenciava a importância da infância em seu pensamento e em sua prática artística”, afirma.

Sua defesa da experimentação, da criação de símbolos e da liberdade inventiva inspira as ações educativas, as visitas mediadas e as atividades voltadas a públicos de todas as idades, ampliando a experiência dos visitantes. “Ele defendia uma educação artística baseada na experiência e na invenção, em que o principal estímulo estava na criação de símbolos e na organização das percepções. Nesse contexto, desenvolveu brinquedos de madeira com caráter formativo e incorporou à sua pintura uma linguagem sintética, próxima ao traço infantil, valorizando a habilidade das crianças de compreender e estruturar o mundo por meio de signos simples e universais”, destaca o curador.

Reconhecido internacionalmente, Joaquín Torres García é apresentado sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. O percurso destaca sua contribuição para aproximar as experiências das vanguardas europeias das culturas latino-americanas, e também evidencia seu pioneirismo na criação do Universalismo construtivo – escola artística que deixou um legado importantíssimo com o grupo Taller Torres García, que buscava uma linguagem criada a partir de formas universais, simples e geométricas, aliado a referências culturais próprias da América Latina, e que permanece atual nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.

Entre os destaques da exposição está a obra “América Invertida”, uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana e raramente apresentada fora do Museo Torres García, situado em Montevidéu. Mais do que inverter um mapa, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo, tendo se tornado um dos maiores símbolos da afirmação cultural do continente.

A organizadora da exposição, Cynthia Taboada, diretora da Cy Museum, ressalta o caráter itinerante e singular da mostra. "É uma exposição única pela multiplicidade de conexões e pela reunião de obras de qualidade excepcional. Em Belo Horizonte, o público encontrará uma nova experiência, porque a mostra se transforma em cada cidade, seja pelo recorte curatorial ou pelo desenho arquitetônico de cada espaço de exposição", diz.

Segundo Cynthia, levar a exposição ao CCBB Belo Horizonte significa dar continuidade a um projeto que envolve pesquisa, cooperação internacional, gerenciamento museológico e produção museográfica de alto nível: "Cada montagem permite experimentar novas percepções e sensações que se completam ao caminhar pelo espaço expositivo, sempre diferente entre as cidades de uma itinerância. É um projeto que busca produzir conhecimento, agregar conexões e ampliar o acesso ao pensamento de um dos grandes nomes da arte latino-americana", complementa.

A mostra se revela a maior já realizada sobre Torres García no Brasil. São centenas de obras inéditas, com a reunião de uma quantidade expressiva de desenhos e manuscritos cedidos pelo Museo Torres García, que representam seus principais projetos artísticos, e a reunião de empréstimos valiosos no contexto museológico nacional e internacional: “museus como MACBA (Museu d'Art Contemporani de Barcelona), IVAM (Institut Valencià d'Art Modern), MSSA (Museo de la Solidaridad Salvador Allende), MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Galeria Sur e coleções privadas importantes cederam obras fundamentais de Torres García e da seleção de artistas propostos pela curadoria. Todos abraçaram o projeto em torno da celebração dos 150 anos do artista, momento único que permite gerenciar essa quantidade enorme de acordos em torno de um propósito singular e de uma riqueza ímpar”, completa.

Selecionada pelo Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada pela Lei Rouanet, a exposição tem patrocínio da BB Asset, organização e produção da Cy Museum e curadoria de Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García.

Artistas que compõem a exposição

Advânio Lessa

Agrippina R. Manhattan

Agustín Sabella

Alfredo Jaar

Alfredo Volpi

Alexandre Ignacio

Alexis Hubert Jaillot

Anna Bella Geiger

Antonio Hélio Cabral

Aparício Basílio

Arnaldo Ferrari

Arnoldus Montanus

Arte africana

Arte pré-colombiana

Baiana System

Bispo do Rosário

Carmelo Arden Quin

Carlos Garaicoa

Carlos Zílio

Cildo Meireles

Daniel Caballero

Delson Uchôa

Denilson Baniwa

Emanoel Araújo

Emiliano Mazza

Emmanuel Nassar

Ernesto Neto

Estela Sokol

Fábio Miguez

Felipe Braga

Fernando López Lage

Filipe Grimaldi

Flávio de Carvalho

Flávio Motta

Giacomo Gastaldi

Glauco Rodrigues

Gregório Soares

Gretta Sarfaty

Guga Szabzon

Guilherme Gallé

Hélio Oiticica

Henricus Hondius

Jac Leirner

Jacqueline Lacasa

Jaime Lauriano

Javier Bassi

Joan Blaeu

Jodocus Hondius

Jorge Francisco Soto

Jorge Mautner

José Roberto Aguilar

Juan Pablo Mapeto

Judith Estela Brites

Juliana Notari

Júlio Leite

Júlio Vieira

Leda Catunda

Lenora de Barros

Leonilson

Lina Bo Bardi

Lothar Charoux

Luiz Carlos Vinholes

Luiz Sacilotto

Lygia Pape

Mano Penalva

Manuela Costa Lima

Marcio Ficko

Marcone Moreira

Marcos Chaves

Max Bill

Mira Schendel

Montez Magno

Pablo Uribe

Pascale Marthine Tayou

Paulo Climachauska

Paulo Nenflidio

Paulo Otavio

Pieter Goos

Rafael RG

Randolpho Lamonier

Raymundo Collares

Rivane Neuenschwander

Robert Kelly

Ronaldo Azeredo

Rosana Paulino

Rubens Gerchman

Sérgio Camargo

Sidney Amaral

Sofia Borges

Trudi Demut

Tuneu

Vanderlei Lopes

Vaslav Nijinsky

Victor Guedha

Vilmos Huszár

Viviane Teixeira

Walter Nomura (Tinho)

Wesley Duke Lee

Willys de Castro

Itinerância

CCBB São Paulo (9 de dezembro de 2025 a 9 de março de 2026)

CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026)

CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)

Cy Museum - Empresa Organizadora da exposição no Brasil. Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA 2023 pela mostra “Marc Chagall: Sonho de Amor”. Dirigida pela museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia.

Saulo di Tarso - Curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, com a colaboração do Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição “Marc Chagall: Sonho de Amor” (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.

SERVIÇO: Joaquín Torres García – 150 anos
Local: Galerias do 3º Andar e Pátio – CCBB Belo Horizonte
Endereço: Praça da Liberdade, 450, Funcionários – BH/MG
Período: 15 de julho a 12 de outubro de 2026
Ingressos: Gratuitos, mediante retirada em ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h.

Informações: (31) 3431-9400 | ccbb.com.br/bh
Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh
E-mail: [email protected]

Ficha técnica
Realização: Ministério da Cultura
Patrocínio: BB Asset
Organização e Produção: Cy Museum
Curadoria: Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García
Apoio Institucional: Museo Torres García
Coordenação Geral: Cynthia Taboada
Projeto Expográfico: Stella Tennenbaum

Foto: Divulgação

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