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GAMA Sound System apresenta video mapping que mistura música eletrônica, percussão, audiovisual e performance

Idealizado pela musicista Samantha Rennó, projeto teve a participação de quase 50 artistas da música e da dança, como Luiza Brina, Sérgio Pererê e Elisa Nunes

“No país onde houve até passeata contra a guitarra elétrica, o preconceito com a música eletrônica sempre existiu”, reflete a mineira Samantha Rennó, que após formar-se em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) fez um trato consigo mesma: “Assim que formei, me prometi que faria um trabalho autoral libertador, sem preconceitos musicais”. Essa foi a centelha para o que viria a transformar-se no GAMA Sound System, projeto que mistura música eletrônica, percussão, audiovisual e performance, incorporando uma estética queer e abarcando outras pautas sociais e culturais.

Assista ao teaser do GAMA Sound System (link especial para a imprensa, favor não divulgar): https://bit.ly/2OxYKVR

A plataforma contou com a participação de quase 50 artistas da música e da dança, como Luiza Brina, Sérgio Pererê e Elisa Nunes, que performaram, cantaram, dançaram e tocaram em diferentes faixas compostas por Rennó de 2014 para cá. Contemplado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, o trabalho rendeu a produção de 17 vídeos, compilados em um video mapping de duas horas que será exibido no dia 19 de outubro (sábado), às 22h, no Galpão Cine Horto. Na estreia do projeto, que escancara a potência feminina da arte em BH, Samantha apresentará o live set com as músicas que acompanham os vídeos. Também haverá performances ao vivo e discotecagem de Belisa, do coletivo Masterplano.

Em etapas

A musicista conta que o projeto teve início em 2013 ainda com outro nome, Tropical Flow. Em 2015, surge o GAMA que foi dividido em duas etapas: uma nesse mesmo ano e outra em 2019, quando o projeto transformou-se e passou a assumir o conceito multi-linguagens. "Como já tinha em mente chamar artistas para participar das faixas, pensei que seria interessante a imagem deles exibida simultaneamente em um telão, para que as pessoas pudessem ver quem co-criou cada música, cada vídeo”, diz.

Rennó afirma que, apesar da forte influência da percussão e da música brasileira, não há um estilo que categorize musicalmente as faixas do trabalho. “É bastante presente a percussão no meu projeto, já que sou percussionista e brasileira, onde a percussão reina. Minhas maiores influências eletrônicas são o dub, o techno e o house, mas tudo se mistura. Acredito que minha música se encaixaria em world music, não há um estilo específico”, afirma, ressaltando também que há uma amarração estética entre os vídeos. 

Potência feminina

Para a musicista, outro aspecto importante do projeto é a potência feminina que explode da ficha técnica e da lista de convidadas. Participam ainda do GAMA Sound System outros nomes como Daniela Ramos, Brisa Marques, Raquel Coutinho, Dona Fininha, Juliana Floriano, Juhlia Santos, Raquel Cabaneco e Daniela Rennó – mãe de Samantha e icônica percussionista mineira, falecida em outubro do ano passado. “É um projeto que parte de uma mulher, cuja maior influência musical foi sua mãe. Chamei muitas mulheres talentosas. Na segunda etapa, a equipe foi composta praticamente só por mulheres”, sublinha.

Coordenadora do projeto nesta etapa, a cantora Fernanda Branco Polse destaca o quão pulsante foi trabalhar junto às artistas participantes. “O mais legal foi perceber a mulherada totalmente avant-garde artisticamente. Inovando linguagens, ligada em tudo o que está acontecendo, não só para falar de feminismo e lutas, mas sobre qualquer assunto”, afirma a artista, que assina a letra e a melodia de uma das faixas, em que também canta e performa. “A música faz uma brincadeira com a frase dark side of the moon, que a gente fez virar dyke side of the moon. Dyke é uma palavra que, em inglês, significa algo como ‘sapatão’. Então, é como se fosse o lado ‘sapatão’ da lua”, adianta Polse.

Para Sabrina Rauta, que assina a direção cênica e a direção de arte da segunda etapa do GAMA, a plataforma “reverbera as singularidades de cada artista, seja do teatro, da dança, da música, da produção, do audiovisual”. “Dirigir cenicamente essas individualidades e enxergar tantas dimensões diversas e sinceras potencializa a junção do todo, nesse encontro tão real”, destaca. “Uma viagem tropical, visceral, de quem somos e o que queremos”.

Participações

Artista que acompanha a concepção do GAMA Sound System desde a etapa anterior, a bailarina Elisa Nunes também confessa a expectativa pela estreia, “Estou muito ansiosa para conhecer o projeto com essa cara nova, num âmbito físico, maior, que é onde cabe a grandiosidade do GAMA. Por ser no Galpão Cine Horto, acho que vamos poder acessar as multimídias numa experiência muito especial”, afirma. “É um processo que foi mudando de cara, abarcando novas artistas e tornando-se cada vez mais diverso, múltiplo e fluido em suas representações. O resultado final é uma viagem incrível por muitos universos. Cada momento desse set insere a gente em um ambiente diferente, que está conectado com aquele som, que imageticamente nos transfere e nos move através das representações daquelas ‘corpas’, muito diversas”, reflete Elisa.

Nunes conta que dançou em um dos vídeos, gravado no espaço Cerbambu, em Ravena, performando “uma entidade, uma figura da mata e dos rios”. “Minha participação tem toques de uma temática ritualística, que é um aspecto que atravessa muito as referências do projeto. Foi um trabalho muito estimulante, com uma equipe maravilhosa e com concepções artísticas que me contemplam muito neste momento”, afirma a bailarina.

Uma das produtoras do projeto, Valentina Vandeveld defende que a liberdade de criação foi um dos grandes diferenciais do processo de concepção de GAMA. “Cada artista trouxe suas referências e teve total liberdade de se expressar, sob diversos olhares atentos e cuidadosos, que se baseiam principalmente na quebra de conceitos e paradigmas, buscando uma representação aberta à diversidade”, afirma. 

Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. 

Foto:Divulgação

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