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Percussão Circular, do mestre Di Souza, faz campanha de crowdfunding para inaugurar nova sede

Em casa nova aberta a partir de dezembro, no bairro Floresta, projeto de aulas de percussão responsável por formar mais de 5 mil alunos realiza campanha de financiamento coletivo a partir de 1º de novembro

Quem acompanhou o renascimento do Carnaval de rua de Belo Horizonte, certamente cruzou com a euforia brilhante de Christiano de Souza Oliveira, mais conhecido como Di Souza — quase sempre vestido com uma sunga festiva, arrastando multidões em cima de algum trio elétrico ou no chão das ruas e avenidas da cidade. Regente do icônico bloco Então, Brilha!, e de uma dezena de orquestras percussivas fundamentais para o reflorescimento da folia na capital mineira, o músico e professor Di Souza concretizou, ainda em 2013, no início de toda a retomada da festa momesca, a necessidade e o desejo de popularizar a formação de novos batuqueiros. Assim nasceu o projeto Percussão Circular, que há quase uma década ensina a arte da percussão para amadores e profissionais, sem limitações ou pré-requisitos para aprender a batucar com destreza. Agora, em nova sede física com inauguração marcada para dezembro, após longo período de aulas virtuais, o projeto inicia sua primeira campanha de crowdfunding para reabrir as portas fazendo muito barulho.

Confira o vídeo da campanha da Percussão Circular

Devido às necessárias limitações de encontros presenciais por causa da pandemia da Covid-19, as oficinas da Percussão Circular foram adaptadas da sala de aula física para o ambiente virtual. Neste processo, foram mais de 200 aulas online, um curso gravado no Youtube, 50 palestras com mestres da cultura popular, 30 lives com artistas e 15 músicas lançadas com base no repertório autoral de artistas belo-horizontinos. Para manter o projeto vivo, entretanto, muitos cortes de gastos foram executados. "Tivemos que ajustar todas as remunerações da escola e bloqueamos o fluxo de investimentos em material, instrumentos e compras necessárias para a manutenção dos encontros. Em 2020, chegamos a emprestar nossos instrumentos para viabilizar os estudos dos participantes em casa”, explica Di Souza.

A meta da campanha de financiamento coletivo será arrecadar R$ 40 mil, com doações abertas entre 1º de novembro e 15 de dezembro. Todo o valor será revertido para reformas estruturais da nova sede da Percussão Circular, que foi obrigada a mudar de endereço porque o antigo imóvel alugado, também no bairro Floresta, foi pedido de volta pelo proprietário neste ano. Diante disso, a necessária reforma da atual sede inclui os componentes essenciais de acústica e o ordenamento de todo o espaço, como a montagem da sala de música. “Estamos lidando com um grau de investimento financeiro e logístico que não tínhamos antes. Já realizamos muitas adaptações. Quebramos paredes, reforçamos o teto, trocamos as portas, isolamos janelas e, agora, estamos montando a nova sala de aula”, destrincha Di Souza.

A reinauguração da Percussão Circular acontece em um evento entre os dias 10, 11 e 12 de dezembro, no casarão do bairro Floresta que abrigará a nova sede do projeto, seguindo todos os protocolos de proteção sanitária, incluindo o uso obrigatório de máscara. Por meio das doações, os colaboradores da campanha de crowdfunding podem garantir vagas para as novas turmas, iniciadas em fevereiro do ano que vem. “Será um final de semana comemorativo de visitação aberta para toda cidade. Também haverá uma confraternização dos participantes que estão hoje matriculados no curso. Em fevereiro de 2022 abriremos vagas para novas turmas”, adianta Di Souza.

O retorno dos encontros presenciais da Percussão Circular será realizado de forma segura, respeitando as medidas sanitárias obrigatórias, com atenção para o distanciamento mínimo entre os presentes, além do indispensável uso de máscara e de álcool em gel. Com todos esses cuidados, os alunos podem retomar o contato mais próximo com o rico acervo de cerca de 200 instrumentos do projeto, que variam de acordo com os ritmos escolhidos pelos próprios estudantes para os módulos do curso, incluindo tamborins, surdos, caixas, repiques, pandeiros, zabumbas, entre muitos outros. “É um diferencial o fato de o aluno não precisar comprar nenhum instrumento para fazer as aulas. A Percussão Circular foi formando um grande acervo percussivo, o que gera inclusão para todos aprenderem”, avalia Di Souza.

A nova sede da Percussão Circular será dividida com as atividades do Grupo Parangolé, idealizado pelo mestre Cascão, e que envolve oficinas de cordel e de teatro para professores e alunos de escolas públicas em Minas Gerais. Juntos, os dois projetos dão vida ao Bloco Circuladô, uma proposta cênico-político-carnavalesca, que une teatro, poesia e música durante a folia de Carnaval, ao apresentar um desfile repleto de intervenções com críticas políticas e sociais.

Percussão Circular

Em atividade desde 2013 e responsável pela formação de mais de 5 mil alunos, incluindo a participação em eventos, workshops, aulas e shows, a ideia do Percussão Circular é baseada em uma didática própria, denominada Movimento Alternativo de Percussão Popular. O método é desenvolvido a partir dos pilares de popularização da percussão e da prática em conjunto. Todas as aulas são conduzidas com os participantes em círculo, em processos lúdicos, envolvendo exercícios para estímulo da coordenação motora, percepção e variação de ritmo, como noções básicas e avançadas de tempo e compasso. Lado a lado, acompanhando os processos um do outro, os alunos aprendem a dominar as principais técnicas de variados instrumentos, sempre realizando rodízio entre as percussões.

A cada módulo do curso, há também uma contextualização histórica sobre o gênero musical estudado, como origens e desdobramentos do maracatu, do forró, do axé ou do samba, por exemplo, a depender da escolha dos alunos. “Muita gente procura as aulas porque gosta muito de um bloco e existe o desejo de aprender determinado estilo. No forró, por exemplo, os instrumentos são zambumba, pandeiro e triângulo. No samba, temos o tamborim, o tantã e o pandeiro, por exemplo. Os instrumentos vão variando de acordo com o módulo. E essas variações enriquecem o aprendizado a cada curso. Com essa diversidade, uma grande parte dos alunos acaba indo tocar nos blocos da cidade, por isso, a Percussão Circular é um movimento bastante carnavalesco, bem conectado ao Carnaval”, explica Di Souza.

Outro diferencial do método adotado no projeto é a adaptação de materiais formais de estudo, a exemplo das partituras, para linguagens mais acessíveis, como forma de apoio complementar para os estudos, e com o intuito pedagógico de facilitar o começo da aprendizagem. Além disso, também em caráter de inclusão social, com objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento musical de forma equânime, a Percussão Circular oferece aulas gratuitas aos moradores de ocupações urbanas de Belo Horizonte.

Di Souza

Atuante em variadas esferas artísticas, Di Souza é músico, multi-instrumentista, educador, empreendedor periférico, maestro e diretor musical, e um dos nomes mais importantes do Carnaval de Belo Horizonte, envolvido com a regência e organização dos blocos Então, Brilha!, Pisa na Fulô, Abre-te Sésamo e Circuladô. Como percussionista, gravou mais de 25 discos e integrou uma dezena de bandas locais, entre elas o Graveola e o Lixo Polifônico. Como compositor e cantor, recém apadrinhado por Samuel Rosa, tem dois álbuns no currículo, “Não Devo Nada Para Ninguém” (2015), com canções que vão desde a raiz irônica do samba de Bezerra da Silva até as experimentações brasileiríssimas de Tom Zé; e o mais recente, “Bloco da Saudade” (2021), que explora uma variedade de ritmos brasileiros com pitadas de pop, ao discorrer sobre tensões e afetos maturados no período de isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19.

Campanha de crowdfunding Percussão Circular

Quando. De 1º de novembro a 15 de dezembro
Onde. www.evoe.cc/percussaocircular

Mais informações. linklist.bio/percussaocircular

Foto: Léo Salvo

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